Mente Demente


13/05/2010


 

 

CRÔNICA DE HUMOR CRÔNICO

 

Porém, todavia, contudo, tenho a dizer, de maneira clara, concisa, transparente e objetiva, aliás, até mesmo assaz objetiva, que não havendo qualquer óbice, obstáculo, percalço atraso ou impedimento de monta, costumo, de maneira que posso afirma até mesmo bastante arraigada em meu ser, que, em vista de alguns comentários desairosos, desabonadores, denegridores, infames, vis, ditos em tom de deboche, galhofa, atroada, dos quais tomei conhecimento através de um hebdomadário, assim como também pelas páginas ignóbeis de um nada conceituado bi-semanário, de um semanário, e também pelas páginas marrons de uma publicação de periodicidade esporádica, que, sem informar qualquer  tipo de fonte conceituada, honrada, bem afamada, digna e fidedigna, afirmando categoricamente não sei bem o que a meu respeito. Sei apenas que foi a meu respeito e sem respeito algum. Desminto formalmente tais acusações carentes de fundamentos, mesmo não tendo a mínima idéia do que se trata e para quais fins escusos foram maliciosamente elaboradas. Pressinto, no entanto, que minha impoluta figura poderia perfeitamente ter sido maculada por alguém que, como eu, tem o hábito de apenas digitar sem ter o que dizer. Pessoas parecidas com seres humanos, mas cuja alma torpe as leva a cometer vilanias desenfreadas, sem a mínima preocupação com o que pode afetar outra vida humana, diminuindo perante os olhos da humanidade alguém que nunca lhe fez mal algum. Principalmente por falta de oportunidade. E, além do mais, tem tempo de sobra para jogar fora. Como eu estou fazendo agora. E quem me leu até aqui...

 

Este texto me foi encaminhado por e-mail por um grande amigo, Irmão mesmo, que, embora versado em nossa língua, e dotado de cultura profunda sobre os mais variados assuntos, perde tempo lendo meus rabiscos (o que, cá entre nós, muito me orgulha). Consta que o texto foi escrito por Fernando Brandi, e que está publicado em http://recantodasletras.uol.com.br/cronicas/885592.

Escrito por Phurba às 17h05
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02/02/2010


Já me trai a memória para afirmar se eram Dawson e Jen ou Dawson e Joey que mergulhavam no lago de Capeside, nus, naquela típica noite de inverno rigoroso e lua cheia de Massachussets. O frio era tanto que de seus corpos subia um intenso vapor, única coisa que obnubilava a visão das estrelas refletidas no espelho d’água. O fundo musical: “Nightswimming”, do R.E.M.

Fiquei fascinado com a letra da música, que até então não conhecia, e mais ainda com a sensibilidade do roteirista para escolher uma música tão apropriada para aquela cena épica, que ainda hoje alimenta meus tardios devaneios adolescentes.

Também me surpreende o final de cada episódio de “Cold Case”, quando se faz uma espécie de, não sei (caramba, que dificuldade de descrever isso, Roseli!), resumo ou flashback, do que ocorrera naquele “capítulo”, com edição de uma seqüência de imagens que esmaecem de uma para a outra, com um fundo musical que parece ter sido feito exatamente para aquela ocasião.

Fico conjeturando se essa habilidade a que me referi, de se escolher uma canção cuja letra é perfeita para determinada cena, por descrever com a harmonia das notas as imagens que sucedem, se isso é fruto de uma sensibilidade mesmo, se decorre de muito estudo, de muita cultura geral, ou se resulta de alguma busca no Google...

Tenho dúvidas — o que não é novidade pra ninguém, porque dúvidas são o que mais tenho nessa minha pobre e breve existência. Não é crível que um indivíduo, por mais superdotado, viajado ou letrado que seja, sem consultar nada, saiba, por exemplo, que imagem poderia ilustrar perfeitamente essa crônica. À minha mente, assim, de supetão, só me ocorre uma: um enorme, um imenso ponto de interrogação!

Eu gostaria de encimar cada um de meus posts com fotos, gravuras, pinturas, ou qualquer outro tipo de imagem, trechos de poemas, haicais, letras de canções, sem esquecer a vontade de “adorná-los” com fundos musicais, que, como se diz popularmente, “tivessem que ver” com o que escrevo. Quem teve o (des)prazer de ler algum dos cento e trinta e quatro textos publicados neste canto (fora esse), bem sabe que, algumas vezes, tentei.

Nelas, não consultei nem Wikipédia nem Google. Quando muito, “inspirado” por alguma lembrança remota quase perdida, me vali de meus livros de cabeceira, de meus CDs empoeirados, e do meu velho “Caldas Aulete”, para citar um ou outro excerto de poema ou letra de canção, e para escorregar o menos que pudesse no vernáculo.

E termino essa crônica, sem muita força, também sem fazer consultas, lembrando que a cada fim de tarde desse janeiro chuvoso que se foi, como se antevê também para esse fevereiro molhado que chega, trilha sonora é o que não faltou e não faltará (The Eurythmics, The Cult, Guilherme Arantes etc.), até que, enfim, “tiremos nosso cavalinho da chuva” e possamos entoar “Here comes the Sun”.

Escrito por Phurba às 17h22
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Por volta das 17:00h meu telefone móvel tocou. Número não identificado. Não costumo atender a essas ligações, mas, sei lá por que cargas d’água (perdão pela figura de linguagem imprópria para esses últimos 41 dias em que as cargas d’água passaram do limite), atendi.

“Bendita” hora (isso é uma ironia)! Era aquele cliente, já de idade, cuja mãe falecera recentemente, e que já estava em pé de guerra com os demais irmãos matusaléns por causa daquilo que se convencionou chamar espólio, nada obstante o corpo da velha ainda nem tivesse esfriado na cova.

Perguntava sobre isso e aquilo, coisas que me são prosaicas e da rotina, mas de suma importância, como se assunto de vida ou morte, para ele, que parecia não ter mais o que fazer, senão apoquentar seu advogado para que eu apoquentasse seus irmãos.

Coisas (melhor dizer causas) de família...

Tudo ia muito bem até que ele quis saber onde eu estava, e o tonto aqui disse estar em casa. Foi então que o fulano soltou a pérola: “nossa, como você trabalha pouco!”

Puta que me pariu! Quem é esse cidadão, e quem ele se julga ser, pra saber se eu trabalho pouco ou muito? Será que ele, por acaso, por trás de seu açodamento, tinha noção do que eu fizera ou deixara de fazer naquele dia, ou a que horas acordara, por exemplo? Será que não passou por sua cabecinha, tão ocupada com migalhas deixadas por uma centenária, que eu poderia estar enfermo, ou que simplesmente, valendo-me do livre arbítrio que Deus me deu, resolvera, pura e simplesmente, ficar de papo pro ar, já que sou eu que pago minhas contas, independentemente do tempo que trabalho ou deixo de trabalhar?

Valha-me Deus! (Acho que nunca invoquei Deus tantas vezes numa mesma crônica). Como se dizia na língua de Cícero, Est modus in rebus.

Quero deixar claro que nada tenho contra quem pretenda receber o que lhe cabe por direito e justiça, divina ou dos homens. Se a herança do tal cidadão é muito ou pouco, isso é questão que não me é afeta, pois me cabe, como seu contratado, apenas buscar garantir que ele receba sua legítima.

Porém, faço esse desabafo porque tem certas coisas que deveriam vir de berço, e, se chamo de migalha aquilo que lhe soa como uma fortuna, é porque as tapas que ele deveria estar usando lhe impediriam de se meter onde não foi chamado, fazendo um comentário de tal quilate, abusado e despropositado (para dar por encerradas minhas adjetivações infindáveis).

É. Tudo tem limite. Assim, é melhor parar por aqui, poupando meu eventual leitor não só dessas adjetivações, mas, principalmente, dos meus rabiscos, eles, sim, despropositados e abusados, ainda mais quando dirigidos a quem não pediu para ouvir tantos impropérios, dos quais eu, mais do que ninguém, sou mais do que merecedor.

Escrito por Phurba às 17h20
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19/01/2010


— O senhor quer parar?

— Como assim “se eu quero parar”? Eu posso parar?

— Claro! O senhor já atingiu a freqüência necessária?

— E só agora você me avisa?!

Meu avô materno morreu com 86 anos, em virtude de um AVC, que sempre conheci como derrame, mesmo. Ele nunca fez regime, jamais deixou de comer couve refogada na banha de porco ou manteiga “virada” no garrafão, e menos ainda de tomar uma branquinha, antes do rango, para abrir o apetite, e depois, para melhorar a digestão.

Eu, com bem menos da metade da idade do falecido, já tenho de tomar remédio pra controlar o colesterol, visto me alimentar muito mal (quando o faço), ser advogado, sedentário, e fazer milhares de outras coisas que entopem minhas veias e produzem zumbido.

O pior, contudo, é ter de fazer exames ergométricos. É simplesmente deprimente adentrar um consultório todo moderno, cheio daquelas atendentes gostosas com aventais curtos e decotes longos, que conduzem você pra lá e pra cá com toda a atenção do mundo, rebolando aquelas maravilhosas bundas que parecem dizer “te quero, mas não te dou!”, para fazer o tal exame.

Primeiramente, uma das tais gostosas, que educadamente insiste em chamá-lo “senhor”, pede pra você tirar a camisa, e com uma meleca gruda um monte de eletrodos no seu tórax cabeludo e flácido. Feito isso, ela te conduz a outra sala, onde se encontra o principal instrumento de tortura: a esteira.

Ali ela pede pra você tirar a camisa (o que você faz, olhando de soslaio aqueles peitinhos durinhos cujos deliciosos mamilos marcam generosamente o top sob o avental), o que é feito com inigualável constrangimento, por expor sua enorme pança, seus peitos caídos e seus protuberantes tecidos adiposos, embora cabeça de homem, a de cima, esquece que ele envelhece, e que um exemplar tão repugnante jamais teria chance com uma beldade daquelas — a não ser em casos extremos, como o do Olacyr de Moraes...

Tirada a camisa, ela pede para você subir na esteira, que, inusitadamente, fica de frente para a parede, onde está fixado, do teto ao chão (ou vice-versa), um imenso espelho. (Gostaria de saber quem foi o gênio que inventou essa história de espelhos defronte esteiras ergométricas, para que a gente fique “apreciando” o sobe e desce bizarro de nossas pelancas — só pode ser obra de algum arquiteto com tórax de tanquinho e IMC próximo de 20...)

Feito isso, ela indaga se podemos começar o exame, que se transforma em tortura em fração de segundos. Bens a Deus que não sou dado a onomatopéias! Disso, ao menos, o raro leitor será poupado.

Quando estamos pela hora da morte, pulso batendo 220 vezes por minuto, a cara vermelha e quente como se estivéssemos dentro de uma panela de pressão, a fulana vira pra gente, com toda a educação do mundo e pergunta, qual no começo da história, se queremos parar...

Olha, vocês querem saber? Eu ando é muito de saco cheio do politicamente correto. Meu pudor, se é que tenho algum, anda minguado, quase inexistente, sucumbindo com facilidade à escatologia.

Melhor parar por aqui, até porque o “causo” é bem melhor contado do que escrito, e espelhos quebrados dão azar.

Escrito por Phurba às 19h20
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30/09/2009


Pouco depois de completar cinco anos ocupando este espaço, rareiam cada vez mais a inspiração e a lembrança dos rabiscos que ficaram gravados ao longo do tempo. Combinados um e outro fatores, haja forças para superar o desestímulo, alimentado cada vez mais pela também crescente falta de memória, que me impede de lembrar se já não comecei um outro texto como começarei este. Doravante, é claro...

Na época dos hoje chamados ensinos fundamental e médio, mais no primeiro do que no segundo, ao voltarmos de nossas férias a “tia” dava como lição de casa (ou como pretexto para manter a gurizada ocupada enquanto ela lixava as unhas) escrever uma redação com o tema “minhas férias”.

Naquele tempo, e apesar de eu ter começado a trabalhar ainda infante na oficina do pai, minhas férias eram regulares: sempre em julho e de meados de dezembro ao final de janeiro. Invariavelmente elas eram passadas lá na fazenda, no lugar aqui tantas vezes descrito, em meio àquela que é a minha família de verdade, para fazer sempre mais do mesmo. Por conta disso, depois que fiz a primeira redação não voltei a derramar suor para elaborar outras: mudava uma palavra aqui, o nome de alguém ali, um detalhe acolá, e pronto!, estava acabado o dever.

Quando declarei minha independência e me libertei do meu trabalho com o pai (em 1989), fui trabalhar de empregado, até que, finalmente, em 1998, me demitiram pela primeira e última vez: montei meu próprio negócio. Desde então, aquelas férias que eram regulares passaram a ser exceção: pouco mais de um mês em 1993 e 1995, quase dois meses em 1998, e agora em 2009 dez dias. Fora isso, emendei um feriado aqui, outro ali, viajei para cá e para lá, mas sempre por curtos períodos e sem cara de férias propriamente ditas, no mais das vezes entre natal e dia de ano.

Não vou tomar o tempo de ninguém com redações sobre os dez dias que passei em distantes paragens, longe da minha língua nativa, em que não me dediquei a nada além do ócio, à arte de observar, ouvir e aprimorar o sentir...

É interessante como as coisas mudam com o tempo. Antes, discursar sobre as férias era obrigação; hoje, é um prazer. As próprias férias, por muito tempo esporádicas, pretendo tornar regulares. Porque, ainda que eu nada tivesse observado e vivido em dez dias que valeram por dois meses, ao menos eu terei matéria-prima para rabiscar algo mais para você, que não tira férias das bobagens que escrevo e nem ganha nada por isso.

Escrito por Phurba às 15h26
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24/09/2009


Deu na coluna do Contardo Calligaris, na “Folha” de hoje:

“Filhos e pais não se amam ‘naturalmente’. Claro, a extrema dependência nos primeiros anos da vida humana parece impor o amor entre filhos e pais. E, por exemplo, a mortalidade dos pais faz com que os filhos lhes apareçam, na velhice, como única justificativa de sua vida. Mas essas são apenas circunstâncias que instituem, em nossa cultura, a ilusão de que o amor recíproco entre pais e filhos seja ‘natural’.
Não é assim. O amor entre pais e filhos não é garantido, nem por lei; de ambos os lados, ele pode ser, isso sim, conquistado e merecido.
Ou não.”

Como eu gostaria de escrever como esse homem, ter sua cultura e sua coragem de dizer coisas que sentimos, apesar de, hipocritamente, não reconhecermos.

Só me resta, aqui desse meu canto, agradecer.

Escrito por Phurba às 14h32
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14/09/2009


Na noite do baile de formatura da minha irmã, ela recebeu um telefonema que a enfureceu: uma de suas melhores amigas, que fora, inclusive, sua colega de turma, informara que não iria à festa, pois “não estava a fim”.

Lembro-me que tentei consolar minha irmã (com minha pretensa e irritante compreensão para com o outro e o tamanho de sua régua — nem sempre da mesma medida que a nossa), dizendo-lhe para tentar compreender, e que talvez fosse melhor, mesmo, sua (nossa) amiga não ir, do que ir contrariada ou sem vontade, sei lá, e ficar de bico o tempo todo (pura projeção minha), por exemplo; ao que minha irmã redargüiu: “Que avisasse antes, então, para eu poder convidar outra pessoa”.

É. Toda moeda tem dois lados, e eu ponderei que “mal humor” não escolhe a hora para nos visitar, assim como, vejo hoje, consideração, por menor que seja, também não faz mal a ninguém.

Pois bem. Divagações de advogado do diabo (pra lá e pra cá) deixadas de lado, vamos ao que interessa (se é que interessa a alguém que não seja eu próprio).

Recentemente um grande amigo casou-se. Para comparar todas as situações sobre as quais estou falando, tenho de dizer o seguinte (sem ferir a intimidade de quem quer que seja): o camarada convidou umas trezentas pessoas para o festejo, e uma boa parte delas atendeu ao R.S.V.P. Porém, mesmo assim, faltaram bem lá uns cinqüenta convidados.

Aí eu pergunto: o sujeito gasta uma fortuna para oferecer uma recepção em local pra lá de luxuoso, com boa comida, bebida à vontade, música para descontrair etc., e alguém se dá (como se diz na minha terra) à pachorra de, após confirmar presença, simplesmente não ir?

Não creio que uma “epidemia” de dor de barriga tenha acometido cinqüenta ou mais indivíduos na mesma noite (“coincidência” demais para o meu gosto), ou que eles todos tenham, de última hora, passado por perrengues tais que lhes impossibilitaram, absolutamente, de honrar o compromisso que assumiram.

Honrar. Essa é a palavra chave deste post. Por mais que a noite chuvosa e fria desse, mesmo, uma preguiça tremenda, se as pessoas que lá não compareceram soubessem o significado da palavra “honrar”, e que convite formulado (e por elas aceito) era motivo de enorme honra, jamais se dariam a tamanha desfeita. Teriam honrado aquilo a que se comprometeram...

Até bem pouco tempo eu não sabia o que significava R.S.V.P. Procurei saber e descobri (http://pessoas.hsw.uol.com.br/questão450. htm). E o que descobri fez com que eu desse razão à minha irmã, apesar de, em seu convite verbal, tenho certeza, ela sequer fizesse menção a um pedido para “responder ao convite, por favor”. Entendi tanto que o que senti não foi fúria: foi tristeza, mágoa, mesmo!

Por certas coisas não se implora; ou melhor, não se devia implorar.

E eu, que estou cada dia mais à beira dos quarenta, bem que queria ser mais veemente do que fui em meu convite para essa passagem vindoura, porque, às vezes, o que parece óbvio não é, já que tem gente que simplesmente não lê o que se escreve; outros, lêem e não entendem o que foi lido; e muitos, embora leiam, simplesmente fazem de conta que não leram.

É por essas e outras que o melhor, mesmo, como escrevi em crônica recente, é dizer a verdade. Assim, quando você tiver de convidar alguém, faça como antigamente, ainda que dê um trabalho do caralho: não mande e-mail, não telefone e nem mande carta pelo correio; vá pessoalmente e diga que você gastou uma puta grana, razão pela qual precisa da confirmação da presença para saber quanta bebida e comida precisará comprar, quantas mesas e cadeiras terá de alugar; informe que no lugar cabem x pessoas, e que, se esse convidado confirmar e não for, tirará de outro convidado a possibilidade de ir, esvaziando a festa e fazendo você, anfitrião, gastar sem necessidade; e, entre outras, para quem é o convite, ou seja, para ele(a), convidado(a), e seu(sua) acompanhante, e não para bicos em geral, como sogra, namorada do irmão, papagaio e/ou afins...

Tudo isso parece óbvio. E não me parece que seja necessário compreender francês para saber de tudo isso.

Infelizmente, porém, óbvio já vi que não é.

Pra não mandar ninguém para “aquele” lugar, só me resta, então, pedir àqueles a quem veste a carapuça, que aprendam francês, ou leiam o link recomendado, já que certas coisas, se não vêm do berço, podem, sim, ser apreendidas.

C'est là mon espoir.

Escrito por Phurba às 19h31
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09/09/2009


Quando a idade chega, mais e mais temores vão se acumulando àqueles todos que a gente alimenta desde que cortado nosso cordão umbilical. Ainda mais se o assunto for saúde.

Com os quarenta anos batendo à porta, assola-me o medo de ter um infarto. Na minha idade, parece que ocorrências desse tipo não têm meio-termo: vêm pra matar, mesmo. Amigo meu, da minha idade, foi vítima disso no ano passado, deixando querida amiga viúva e com filho pequeno.

Eu, que, como costumo dizer, tenho todos os sintomas possíveis para enfartar (39 anos e 336 dias de idade, advogado, obeso, que me alimento e durmo mal, consumidor contumaz de café e voraz de álcool, sedentário, fumante inveterado dos treze até pouco tempo atrás — hoje sou apenas fumante eventual), não sei como ainda não parti dessa pra melhor.

Pensei muito nisso nas minhas últimas férias. Lá de Boston ouvi uns bochichos de que em Nova Iorque, minha estada seguinte, haveria mais de quinhentas mil pessoas com influenza A h1n1. Eu, que saíra do Brasil com uma tosse infernal, e que, ao depois, já no meu destino final, sofri naquilo que ousam chamar de “quarto de hotel” de tanto calor e abafamento, suando bicas madrugadas afora, pensei que chegara minha vez.

Como em vida de pobre desgraça pouca é bobagem, delirei com pesadelos de ter contraído a tal da gripe suína, para morrer lá, na lonjura de casa, e dar trabalho pros outros com tudo o que uma morte fora da terra causa de transtorno. Imaginava que poderia cair duro na Columbus Circle, e que nem aproveitaria uma jornada de aventura dentro daquelas ambulâncias cinematográficas, pois, como diriam os paramédicos, teria dado entrada num pronto-socorro qualquer do Bronx (evidentemente meu seguro-viagem não permitiria que fosse atendido por um Mount Sinai da vida...) já em óbito.

Para o infortúnio dos que sobrevivem às bobagens que escrevo, também eu sobrevivi: não contraí gripe alguma, e aquilo que parecia uma febre infernal não deve ter passado de reflexo da falta de circulação de ar no “pardieiro” que reservaram para minha hospedaria, ou efeito colateral dos vinhos que apreciei no Cellar 58 e no Centovini.

Agora, de volta, trouxe como lembrança (além das memórias de um lugar que nem é tão bonito, mas que é, sem dúvida, o mais legal que conheço, por mais vago que seja a expressão “legal”) muitas dores nas pernas, por ter andado pra cima e pra baixo, sem parar, por dez, doze horas por dia, explorando cada cantinho desconhecido, apreciando cada imagem, e curtindo cada instante, tudo na mais absoluta plenitude.

E concluo que valeu o pequeno risco de ficar doente, mesmo porque somente os orientais caminham com máscaras entre a multidão, e o alarde que aqui se faz está muito distante de que uma epidemia seja real. E, ademais, não é preciso contrair gripe pra ir dessa pra melhor: basta ter um infarto em qualquer lugar. Ou continuar a visitar a Mente Demente.

Escrito por Phurba às 18h21
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08/09/2009


Elegância do Comportamento

Aqueles que já estão habituados aos delírios da Mente Demente sabem que raramente digo o nome do santo (ou do demônio, no meu caso), apesar de não esconder o milagre (rectius: sacrilégio).

Desta vez, porém, não vou omitir os créditos. O texto que segue foi escrito por meu amigo André. Trata-se de uma adaptação de texto extraído do livro “Educação enferruja por falta de uso”, de Henri Toulosse Lautrec (1864-1901), que me foi gentilmente cedido para publicação de alguma coisa que preste por aqui.

Espero que, tanto quanto eu, aproveitem a leitura.

     Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam  longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros. É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer... porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros.

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. É elegante retribuir carinho e solidariedade. É elegante o silêncio, diante de uma rejeição...

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto. Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. É elegante a gentileza. Atitudes gentis falam mais que mil imagens... Abrir a porta para alguém é muito elegante... Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante... Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma... Oferecer ajuda... é muito elegante... Olhar nos olhos ao conversar é essencialmente elegante...

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.

Escrito por Phurba às 17h23
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31/07/2009


Acabara de adquirir um exemplar do “The Shaman”, de Piers Vitebsky. Folheava aquela fina edição inglesa da Duncan Baird Publishers ali mesmo, no Café da Barnes & Noble situada nas adjacências do Madison Square Garden. Não me dedicava a uma leitura profunda da obra (e sim à contemplação de suas arrepiantes imagens de culto ao fogo, saunas sagradas, rodas de cura, e outras tantas que me são tão familiares quanto enigmáticas), pois acabara de passar por outra incrível experiência de contato com antigas civilizações e outras culturas no Museu de História Natural (que fica para ser contada alhures — com perdão do mestre Cony).

O simples manuseio daquele livro me fez lembrar uma mensagem (que, permitam-me o comentário, já não sei mais se me foi transmitida de viva voz por minha mestra maior, se veio até meus ouvidos através do vento que trespassou pelo “povo em pé”, ou se foi advertência sussurrada em meus sonhos pelos meus guias espirituais ou por algum xamã habitante de meus pensamentos) mais ou menos assim:

“Os homens diferenciam-se conforme os círculos que traçam. Muitos demarcam o seu exclusivo entorno, e não cuidam de ninguém mais. Outros tantos, abrindo um pouco mais as pernas do compasso, desenham uma linha para dentro da qual trazem também sua família. Alguns, em menor quantidade, ousam estender também para seus amigos o raio do círculo que rabiscam. Por fim, há os que não fazem círculo algum, pois sua missão é cuidar de todos os que estão dentro do círculo maior, a esfera terrestre, o círculo que não precisa ser feito, e sim cuidado.”

O (ou “A”, nunca sei) moral da estória é você avaliar qual o tamanho do seu círculo, e se ele foi traçado por você mesmo, ou se um outro “Alguém” estabeleceu os seus limites, a sua missão.

Quando eu divagada sobre isso tudo, fui interrompido por um garoto, que me pediu ajuda financeira para uma instituição do tipo “Kids for Life”. Como desculpa para não contribuir, tanto por fazer benemerência a meu modo, quanto por ser conceitual e ideologicamente contra esse tipo de “esmola”, disse ao garoto que não entendia inglês.

Ele redargüiu, perguntando que língua eu falava. Incomodado com aquilo, por todas as razões que somente minha egoística soberba explica, disse que falava italiano, tornando ao meu entretenimento.

Instantes depois, veio lá novamente o menino, desta feita com um iPhone na mão, pedindo que eu lesse o que estava escrito. Para minha surpresa, não é que o danado tinha traduzido para o italiano o pedido de contribuição?!

Eu, que não domino nem o português, quanto mais o italiano, corei de vergonha, comigo, só no meu íntimo, por conta do ridículo papel a que me prestei. Fiz uma confusa gesticulação dando a entender que “não, obrigado, não tenho dinheiro”, e meu interlocutor, resignado, voltou ao seu trabalho de abordar outros transeuntes em busca de um dinheiro que, sabe-se lá, é ou não destinado à tal instituição.

Foi então que pensei com meus botões: aquela atitude mostrava a mim mesmo qual é o tamanho do círculo que tracei?!

Pelo sim, pelo não, concluí que não é preciso ser um xamã, e nem dispor de alta tecnologia, para saber qual o tamanho do meu círculo, para perceber que são já corriqueiros “pedidos de esmola high tech”, ou mesmo para aprender que o melhor, ainda, é dizer a verdade.

Escrito por Phurba às 14h58
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04/06/2009


Procuro. Não acho.

Entro em desespero.

Quem sou eu, onde estou?

Em mim ou em você? Aqui ou acolá?

Resposta? Tudo ou nada disso!

Quem há de responder?

Pra que responder ou saber?

 

Não sabê-lo é o que me move,

Pois não fico estático,

Conformado,

Esperando as coisas acontecerem.

 

Desespero é deixar de esperar,

Ir atrás das coisas, onde quer que estejam.

Fazer e acontecer.

 

Como ver isso negativamente, então?

 

Sou um desesperado.

Desespero é meu combustível,

Minha morte alegórica,

Minha vida em construção,

Meu ser se buscando,

Pra nunca se encontrar.

Simplesmente por querer viver

Desesperadamente...

Escrito por Phurba às 14h40
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07/05/2009


 

 

Sou um chato de plantão, daquele tipo que se “pega” em pequenas coisas e não dá trégua enquanto não as resolva, independentemente de o desfecho ser bom ou ruim.

Ontem, por exemplo, recebi um e-mail do meu gerente de banco, dizendo que minha conta estava negativa, e que isso implicava pagamento de juros e tarifas enquanto eu tinha dinheiro aplicado. Até achei bacana que haja esse alerta, que, em tese, pretende proteger a incolumidade de minhas parcas economias. A não ser por um pequeno detalhe: minha conta não ficou negativa em momento algum!

Quando liguei para o gerente, ele argumentou que o sistema gerou a mensagem automaticamente, e que o débito referente a taxas e juros (sim, a cumulação das duas coisas, tarifa mais juros) seria oriundo de algum saldo devedor ocorrido no último mês. Controlado e controlador como tenho sido (talvez seja melhor reconhecer que o seja desde sempre), neguei qualquer saldo devedor que certamente não tive, e pedi uma averiguação e uma satisfação a respeito.

Terminada a ligação, tive a pachorra de emitir um extrato dos últimos 30 dias, e coloquei na ponta do lápis (figura de linguagem para a criação de uma planilha em Excel, com conferência manual por uma calculadora de mesa daquelas antigas que imprimem a evolução do cálculo) o histórico da movimentação no período, concluindo não só que não fiquei no vermelho, como também que as contas do banco estavam erradas: havia cinco centavos de real a mais na minha conta.

Agora vocês vão entender por que todo esse aranzel: o débito relativo a tarifas e juros correspondeu a míseros quatro reais e vinte centavos, e hoje já estava contabilizado em minha conta o estorno respectivo.

Dei-me por satisfeito? De modo algum. Liguei novamente para o gerente e desfiei o rosário, instando-o a estornar também os R$ 0,05 que estavam indevidamente sob depósito em meu nome, e para que, juntos, fizéssemos as contas de toda a minha movimentação desde a abertura da conta, pois, se no período de um mês eu tive creditada irrisória quantia que não me pertence, ele valor poderia ser bem substancial ao longo dos tempos, razão pela qual quero e faço questão de apurar se me creditei indevidamente ou se o banco é que tem se locupletado às minhas custas por não saber sequer fazer contas, atividade elementar e ínsita às suas atividades.

Francamente não sei onde isso vai parar. Perdi um tempo dos diabos com toda essa estória, que ainda se prolonga por meio dessas linhas mal escritas.

O que sei é que aprendi a engolir alguns sapos ao longo de minha existência. Porém, minha goela não suporta qualquer um, de qualquer tamanho, e por vezes ainda regurgito. Tanto quanto meu eventual leitor deve estar regurgitando, sem conta, no final dessas contas resultantes de minhas palavras, que não fecham. Ambas...

 

* * *

 

Aos Deficientes Visuais: a imagem que ilustra este post é uma foto de um emaranhado de impressões de contas feitas em calculadoras de mesa a bobinas.

Escrito por Phurba às 14h39
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25/03/2009


A mãe de um grande amigo tem um nome pouco comum. Para não expor ninguém, doravante, como se diz em contratos, ela será simplesmente designada “Dona Maravilha”.

Evidentemente, de início não éramos tão próximos quanto hoje. Lembro-me do dia em que conheci sua genitora, no casamento de um camarada comum. Espírito de porco e inconsequente como poucos, não me contive após as apresentações de praxe: fiz um gracejo dos mais infelizes, permeado de trocadilhos pobres e rimas vulgares, que meu pejo impede de reproduzir.

A pobre coitada não sabia onde enfiar a cara. Seu marido, que também estava presente, precisou ser contido para não cometer um homicídio doloso — do qual certamente seria absolvido se viesse a ser processado, no mínimo por legítima defesa da honra, afora o extenso rol de atenuantes. E meu amigo fez aquela típica expressão facial que transita indefinidamente entre e desprezo e a comiseração.

Ficamos um bom tempo sem nos falar (“sem nos falarmos” é certo também, professor Nogueira Duarte?), até que um dia acabamos por nos entrevistar novamente, provavelmente em alguma outra festa de algum amigo comum. A reaproximação foi paulatina, posterior a um constrangido e tímido aperto de mãos. Até que, viradas muitas páginas de calendário, e sem que tivéssemos tocado no assunto uma vez sequer, certo dia, do nada, depois de (aparentemente) já termos esquecido o que ocorrera, simplesmente me desculpei.

Não retomamos feridas já cicatrizadas ou mesmo desenterramos defuntos pútridos. Seguimos nossas vidas, às vezes caminhando lado a lado, e nada pôde abalar nossa amizade, hoje mais sólida que nunca. Encerramos um capítulo mal escrito de nossa história em quadrinhos, e meus pecados foram absolvidos com um simples “esquece”. Que maravilha!

Na vida da gente por vezes cometemos deslizes (pra usar e abusar do famigerado eufemismo fagneriano) que se podem consertar, como certamente muitos deles cometi. Não chegaram, os meus, a configurar crimes hediondos, embora fizessem lá suas vítimas, abrindo feridas que, se e quando mal cuidadas, poderiam resultar em gangrenas incuráveis.

Por sorte nunca tive pejo de pedir desculpas por minhas muitas contravenções, até porque todas foram culposas. Em função disso, ao longo dos meus (já) muitos anos, que invariavelmente afiguram-se séculos, poucos foram os imbróglios incontornáveis e os ressentimentos duradouros. Inimigos, então, desconheço-os, nada obstante reconheça possa tê-los “conquistado”.

Muito disso, sem dúvida, se deve à minha capacidade de pedir o penico. Porém, isso de nada adiantaria se não fosse a indulgência de meus interlocutores — a mesma que espero de quem eventualmente esteja me lendo agora, pois ia escrever sobre a capacidade de perdoar que não tenho, e que talvez peça “demais da conta”, sem razão, em meu favor.

Escrito por Phurba às 16h55
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03/02/2009


“Tudo está no seu lugar

Graças a Deus, graças a Deus”

(Benito Di Paula)

 

O Luiz vai casar, a Luciane vai ser mãe, e o Boto vai ser pai pela segunda vez.

O Bellini não escreve desde o dia 31 de dezembro.

No final de semana em que o Lenny fez três gols em uma mesma partida pelo Palmeiras, o Kléber Pereira não fez nenhum, e ainda acertou quatro das seis bolas na trave que houve no jogo entre Santos e Ituano.

O Bradesco perdeu o posto de primeiro banco brasileiro em ativos; e, se não amargou prejuízos no último trimestre, teve substancial queda nos lucros. Isso, aqui, porque lá os Citigroup da vida estão à beira do colapso e até a Microsoft demite.

Hussein Obama, um negro democrata com sobrenome árabe, foi eleito e assumiu a presidência dos Estados Unidos.

Federer, quase recordista em títulos de Grand Slam (tem 13), vencedor de quatro edições da Masters Cup, de quatorze Masters Series e de vinte e seis outros torneios da ATP, milionário, chora feito criança após ser derrotado na final do Aberto da Austrália.

Uma criança de três anos, que brincava de estilingue com um coleguinha, teve o crânio perfurado por um projétil, o que passou despercebido pela médica de PS, que diagnosticou uma lesão superficial causada por uma pequena pedra.

Um tal IBP (abreviatura da designação em inglês da “Parceria Internacional sobre o Orçamento) classificou o Brasil em oitavo lugar em ranking de transparência do gasto público.

E assim vai...

Fora essa última notícia, que dá conta de um relato que só pode ser oriundo de um lunático — mas do qual não se pode duvidar, pois a coisa anda tão escancarada por essas bandas que a bandidagem age é à luz do dia, mesmo, publicando toda a sua ladroagem no Diário Oficial —, todas as demais reproduzem fatos. Não se pode, contudo, dizer que esses fatos pudessem ser considerados verídicos em outros tempos, tempos nem tão remotos assim. Nenhum deles.

Mas são! E isso nos faz invocar o título de uma outra canção do Benito Di Paula: “Tudo está mudado.”

Aí a gente abre o jornal, e vê que o Sarney foi eleito presidente (com “p” minúsculo, mesmo) do Congresso Nacional, Michel Temer da Câmara dos Deputados, e que a avaliação do governo Lula teve aprovação recorde no último mês de janeiro (mais de 70%), e ele, em pessoa, mais de 84%.

É, Benito, tudo está em seu lugar, de fato. Graças a quem, porém, francamente já não o sei.

Escrito por Phurba às 18h29
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12/01/2009


Sintonizei uma de minhas rádios virtuais prediletas, que fica em Seattle. Para minha surpresa, ouvi uma música brasileira, que descobri ser de um grupo chamado "Curumim". O som faz parte do álbum "Japanpopshow", e se chama "Compacto". Nunca tinha ouvido a referida música. Como achei inusitado ouvir uma música brasileira, até então minha desconhecida, numa rádio universitária pretensamente independente, e onde geralmente toca música dita "alternativa", deixei estar.

Até que os ouvidos não foram tão agredidos assim, embora também não gostasse do que ouvi. Na seqüência (com essa tal reforma ortográfica já não sei mais se uso a trema e o circunflexo, só um dos dois, ou nenhum), porém, tocou "Seu Jorge". Aí foi demais! O fígado reclamou da famigerada versão de Ziggy Stardust, ruim demais pra ser de verdade, e busquei outra opção dábliu dábliu dábliu.

Lembrei, então, de certa vez ter visto uma edição do Jools Holland, na BBC, e de ter ficado impressionado com a capacidade de se reunirem, em um mesmo programa (pasmem, de televisão!), na mesma noite e no mesmo palco, nomes como Dr. John, James Morrison, Nick Rhodes (este "apenas" para entrevista, sem apresentação de número musical, já que não o faz sem os demais integrantes do Duran Duran), Gnarls Barkley, Snow Patrol, e, como se não bastasse tudo isso, Franz Ferdinand! Meu Deus, como pode!? -pensei. Era bom demais pra ser verdade...

Comparando uma coisa e outra, lembrei-me, também, daquela estada em Buenos Aires, quando empanturrei de ouvir tango em cada esquina, em cada praça, em tudo quanto era lugar. Depois de um dia agradabilíssimo na Recoleta, voltei caminhando para o hotel, tranqüilamente, mas tão tranqüilamente, que a volta pela Avenida Alvear, passando pelo San Juanino, em direção à Plazoleta Carlos Pelegrini, para finalmente cruzar a Avenida Santa Fe, fez com que me esquecesse completamente que reservara assento no Monumental de Nuñez para ver o River contra o Velez.

Acabei vendo o jogo pela televisão, e não acreditava no que via. Como o jogo era na própria Capital portenha, a TV mostrava apenas as torcidas, sem qualquer imagem do jogo, com narração, comentários e reportagens ao fundo, como se se tratasse de transmissão radiofônica.

Em outra ocasião, pescava nas proximidades de Belo Horizonte. Tarde de sol, dia de jogos do Galo e do Cruzeiro. Para minha surpresa (outra delas), a Rádio Itatiaia, que tem narradores diferentes para cada um dos times, transmitia os dois jogos simultaneamente: "lá vem o Cruzeiro pelo ataque... gooooooooooool do Galo!" Uma confusão dos infernos...

Voltei de férias há pouco. Folheando os almanaques, descobri que na Polinésia se fazem previsões meteorológicas com precisão cirúrgica, a partir da observação das nuvens, do "sentir o vento no rosto", e de outros sinais que nos são invisíveis; e, entre outras coisas, que alguns povos dos Andes acreditam que as montanhas são vivas e que respondem aos homens.

Pensando em tudo isso, com a pele vermelha pelo sol acumulado na cachola ao longo dos últimos dias, e de volta à crise, concluo que "viajar devagar descansa mais depressa", e é viajando que mais adquiro cultura e crescimento, aprendendo a mais respeitar o outro.

Por essa razão, o meu desejo para 2009 é que todos, sem exceção, sejamos elegantes sem afetação, naturais sem demagogia, e firmes sem arrogância.

Feliz ano novo

Escrito por Phurba às 17h20
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